Curitiba
Emerson Pippi
Enviado por Emerson Pippi, 17/01/2008 às 20:11

Semana passada Curitiba recebeu um grupo de busólogos. Isso mesmo... fanáticos por ônibus vindos de algumas partes distantes do Brasil.
Acredito que nossa cidade seja um paraíso para estes aficcionados pelo busão. Como deve ser Paranaguá para os barcólogos ou São José dos Pinhais para os aviólogos.
Assim que desceram do ônibus em que vieram (ou você acha que viriam de trem?) já saíram em disparada rumo à canaleta do expresso. Dizem que ficaram tão boquiabertos ao verem um bi-articulado que um deles desmaiou de emoção e foi atropelado pelo baita. Era o ponto-final. Os amigos se consolam imaginando que São Pedro o recepcionou em uma linda Estação Tubo.
Num furo de reportagem conseguimos entrevistar a líder da trupe, a sra. Mercedes Busón:
Cidade: Itapemirim.
Prato preferido: Arroz carreteiro.
Filme: O Terminal.
Time de coração: Inter (bairros).
Esporte: Gosto dos coletivos.
Cor: Vermelho-Santa Cândida e Amarelo-alimentador.
Desenho animado: o Ligeirinho Speedy Gonzalez, é óbvio.
Sua primeira vez: Foi com um cobrador.
Sua segunda vez: Com o motorista.
Santa de devoçao: Nossa Senhora da Penha
Ídolo: Marco Polo
Hobby: Colecionar vale-transporte
Sonho de consumo: Um tri-articulado
Para quem duvida, aqui vai o site da turma do latão: www.onibusdecuritiba.com.br
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Enviado por Emerson Pippi, 13/01/2008 às 21:38

Os goleiros e os políticos têm uma semelhança. O atleta pode fazer uma partida estupenda, praticando defesas incríveis e salvando o time durante 89 minutos de jogo. Mas, no final da disputa, uma falha o transforma de herói em vilão e ficará marcada para sempre em sua carreira.
Alguns políticos podem executar diversas obras e zelar pelos seus eleitores, mas um deslize pode simplesmente desgraçar sua trajetória. Lembrei-me disso hoje, enquanto caminhava pelos trilhas do Bosque Alemão.
Rafael Greca é um destes políticos-arqueiros. Seus mandatos em proveito de Curitiba trouxeram várias marcas por toda capital. O início da transformação em cidade turística foi fortemente impulsionado por ele. Além do Bosque Alemão, a falecida Rua 24 Horas (em processo de ressurreição), a Linha Pinhão, o Memorial de Curitiba e vários outros cartões postais têm genes de Rafael Greca em seu DNA.
Infelizmente, o fracasso da caravela comemorativa aos 500 anos do descobrimento praticamente naufragou o então Ministro da Cultura. A nau lusitana feita na França foi o Titanic de Greca.
Por sorte a catástrofe não foi aos 90 minutos do segundo tempo e ainda há muito jogo pela frente para nosso trovador.
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Enviado por Emerson Pippi, 10/01/2008 às 21:52

Recente pesquisa mostrou que a aprovação do prefeito Beto Richa está em alta. O item em que o jovem alcaide conseguiu melhor desempenho foi o das obras. O pior avaliação teve o item segurança.
Obras como os novos binários, Linha Verde e o Horto Municipal reforçam os números do engenheiro Beto Richa e do secretário Mario Tookuni.
Todo dia passo pela Marechal Deodoro, que teve recentemente reformado seu pavimento, assim como as calçadas, e posso comprovar que algo muito errado aconteceu ali.
É praticamente impossível trafegar pela via da esquerda da avenida. Devido ao baixo número de vagas os motoristas param deliberadamente em fila dupla, como se o pisca-alerta ligado amenizasse a infração.
Mas a melhor pergunta é: Como foi aprovada uma obra em que as tampas dos bueiros estão vários centímetros abaixo da linha do asfalto?
Trafegar pela Marechal Deodoro é um grande esforço para os amortecedores e a imaginação. A cada solavanco que passo me pergunto como uma equipe tão qualificada pôde cometer erros (são vários os buracos) que comprometem uma obra tão custosa.
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Enviado por Emerson Pippi, 16/12/2007 às 21:28

Há pouco mais de uma década Curitiba vem tornando-se uma cidade que atrai muitos turistas. Nossa capital não tinha vocação turística, mas as obras de alguns prefeitos a tornaram assim.
A primeira grande sacada foi trocar o apelido de "Cidade Sorriso" para "Capital do Natal". A novidade incendiou a colônia e cada família queria ter a casa mais iluminada da rua, quiçá do bairro. Talvez um dos causadores do sucesso natalino tenha sido o advento das luzes pisca-pisca chinesas.
Vinha gente do todo Brasil passar um natal diferente, e aqui descobriam que Curitiba tinha outros atrativos além dos ônibus bi-articulados e das estações tubo. Aos poucos os amigos dos amigos dos amigos daqueles que voltaram deslumbrados também vinham e espalhavam aos outros amigos o quão acolhedora era Curitiba.
Até que, em algum ponto da história deixamos de ser a terra do Papai Noel. Relaxamos e perdemos o posto para Gramado e seu Natal-Luz. Triste, os gaúchos tomaram nossa tradição.
Aí que vem a grande novidade. Curitiba atrai visitantes durante o ano inteiro e pelos seus próprios atributos. Que os gaúchos sejam felizes, não precisamos mais do Natal.
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Enviado por Emerson Pippi, 11/12/2007 às 15:46

Meus parentes foram morar no Campo Comprido em 1987. Quando para lá se mudaram eu achei que era perto de Ponta Grossa, de tão distante. O binário de expresso existia e, lembro-me, a oposição ao Jaime Lerner dizia que havia sido construído para nada, já que ninguém morava por aquelas bandas.
No trecho entre o Campina do Siqueira e o Campo Comprido via-se poucas casas e muito mato, a maior construção era o Carrefour e onde hoje está o shopping havia um brejo. Prédio não havia nenhum. A maior torre era a da igreja. O primeiro edifício veio depois de 1990. Já no final da via rápida, onde hoje é a UNICENP, havia um imenso haras.
O Campo Comprido e o Mossunguê não param de crescer, e valorizar. Contei mais de 30 edifícios de alto padrão na região. Condomínios de luxo atraem até traficantes colombianos para o bairro. Já há congestionamento em determinados horários.
Só não acho justo que mudem o nome do bairro, já que Mossunguê é muito melhor que Ecoville, o apelido modernoso que querem dar.
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Enviado por Emerson Pippi, 09/12/2007 às 21:41

Nove da manhã de sábado, estava indo cumprir minhas obrigações profissionais e, passando pela rua Cruz Machado, descubro que a madrugada ainda não havia terminado.
Mesas nas calçadas, cervejas nas mesas, muitas e muitas pessoas tomando as cervejas. Nossa boca-do-lixo está encerrando as funções cada vez mais tarde.
As mariposas caminhavam pela Cruz Machado, indo para casa depois de mais uma noite dura de trabalho. Os gigolôs brindavam animados o movimento da noite e os bêbados tomavam mais uma saideira.
Acredito que Nelsinho, o vampiro, estava espreitando, comendo um espetinho e observando sua próxima vítima.
Por isso que eu digo: "A Curitiba de Dalton ainda não morreu".
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Enviado por Emerson Pippi, 09/12/2007 às 20:43

Hoje o domingão foi bem diferente. Resolvi refazer o caminho que percorria com meu pai todo domingo há 20 anos atrás, peguei a Victor Ferreira do Amaral e fui parar no Jockey Club.
As coisas por lá mudaram muito nestas duas décadas, começando pelo arrendamento da arquibancada onde eu ficava para um salão de festas. Tudo bem. Parece que é o dinheiro deste aluguel que mantém o Jockey funcionando.
Dia de GP Paraná sempre foi o mais movimentado no Tarumã, e hoje não foi diferente. Lógico que não há mais o glamour de antigamente e parece que a cada dia que passa o evento atrai menos público.
Mudou muita coisa no turfe. Hoje não é mais necessário ir ao hipódromo para apostar, já que a internet tomou conta de tudo. O público de hoje era visivelmente envelhecido. Parece que o turfe é um esporte que não soube se renovar e não atrai a atenção dos mais jovens.
Algumas coisas no Tarumã também pararam no tempo. O painel de apostas da pista está com várias lâmpadas queimadas e assim é complicado acompanhar o movimento das poules. O sistema de som falha durante a trasmissão da carreira e as lanchonetes deixam a desejar. Talvez estejam aí alguns dos motivos do declínio.
Mas a emoção da corrida, o som dos galopes e o calor da torcida não são substituídos pela internet nem passam na televisão. Ir ao Jockey Clube ainda é um belo programa para o domingo do curitibano. Pena que a programação normal é durante a semana, em corridas noturnas. Deveria haver mais corridas aos domingos durante o ano.
Ah! Apostei sim! E no final o balanço foi negativo, mas só um pouco. Valeu o domingo.
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Enviado por Emerson Pippi, 16/11/2007 às 20:46

Curitiba é conhecida nacionalmente como uma capital de vanguarda, onde as últimas novidades urbanísticas são implantadas para que se mantenha o título de Capital Modelo.
Estes avanços tecnológicos muitas vezes atropelam cenas e costumes típicos curitibanos, que aos poucos vão sumindo. Felizmente alguns bairros, não muito distantes do Centro, ainda guardam imagens que fundem o antigo com o moderno e flagrantes inesperados acontecem.
Na noite de ontem, logo após passar por uma lombada eletrônica de última geração, estrategicamente colocada antes de uma forte subida, deparei-me com um monstro vindo em direção ao carro.
O farol não iluminava direito, mas logo percebi que um animal de grande porte disparava pela calçada, desviando do belíssimo mobiliário urbano de nossa prefeitura. Era uma vaca, da cara preta!
Cheguei a pensar que era uma das vaquinhas roubadas da Cow Parade, mas aquela lá era muito real.
Não bastasse a figura bovina em questão, para minha surpresa, atrás dela vinha um cavalo. Um cavalo de verdade! Em pleno galope.
E a dupla apressada passou em disparada descendo a ladeira. Ainda prestei atençao para ver se não seriam flagrados pelo pardal multador.
Fiquei feliz em ver como o passado resiste bravamente ao avanço do futuro e ainda saí cantarolando uma boa idéia para um sambinha... "A vaca o cavalo descendo a ladeeeeeira..."
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Enviado por Emerson Pippi, 15/11/2007 às 20:17

A Boca Maldita sempre foi o espaço mais democrático e divertido de Curitiba. A diversificada fauna que desfila pelo petit-pave da menor avenida do mundo adorna este quarteirão e exibe as tribos da capital.
Em dia de feriado a quantidade de esquisitos diminui bastante, já que eles vão salgar as canelas no litoral catarinense. Em compensação, a qualidade não cai e é possível avistar espécimes raros nas cercanias do Bráz Hotel.
Hoje, pleno dia da Proclamação da República, o reino da Boca foi invadido por bodes.
Estou falando dos Bodes do Asfalto, clube de motoqueiros que vieram de todo Brasil, com suas justas calças de couro, exibir suas duas rodas.
Estas associações de titios barbudos estão cada vez mais organizadas. Havia barracas distribuindo kits, centro de informações e tabuleiros vendendo broches. Os Hell Angels rolam nos túmulos...
Na outra esqina da Luiz Xavier o movimento era outro: Os preparativos para o Natal Luz começaram.
O Palácio Avenida, que já abrigou a sede do Partido Nazista em Curitiba, começou a vestir a fantasia de Papai-Noel para os festejos natalinos do HSBC. Cada ano a decoração está mais modernosa e de gosto duvidoso. Espero que para este ano não se inspirem no dia de hoje e não façam o velho Noel chegar em uma Harley-Davidson.
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