|
“Metegol” não é show de bola; é um sonho sobre futebol
 Quando recebi o ingresso para ver “Metegol” fiquei dividido. Feliz, pois como um dos “filhos” da mistura teatro com circo – além de ser jornalista fui palhaço e malabarista, acreditem ou não – iria ter a oportunidade de conferir o 10.º trabalho de uma das mais prestigiadas companhias que se utiliza há 20 anos desse gênero no país, a carioca Intrépida Trupe. Triste, porque não gosto de futebol, não tenho time do coração e mal vejo os jogos da seleção. Minha história de desamor com a paixão nacional é longa, mas o foco aqui é outro.
Talvez exatamente por isso tenha ido a Opera de Arame nesta quinta-feira (27) despido de expectativas – pelo menos quanto à representação do esporte – o que foi minha salvação. Quem conhece a fama da companhia sabe da sua tradição de grandes e ousados espetáculos, e principalmente, de impacto. “Metegol” não é isso. Pelo menos, não só isso. É uma montagem muito mais lírica, até onírica diria. “Metegol” não é show de bola; é um sonho sobre o futebol.
No início do espetáculo oito atores descem no palco pendurados por tiras, formando um grande pebolim humano. Essa idéia, dos bonecos do “totó” que ganham vida, se soltam das amarras e começam a disputar o jogo para valer parece perpassar toda a peça que, dividida em partes – como se a cada uma a nova partida fosse iniciada –, traz diversas situações do jogo por meio da dança, acrobacias e expressão corporal. Aquele empurra-empurra dentro da área, as faltas, o gol, a torcida e até mesmo os narradores e comentaristas esportivos com seu replay estão lá.
Até onde se sabe, a idéia inicial do espetáculo foi dada pelo cineasta Aluízio Abranches e depois trabalhada pela companhia. A pesquisa que antecedeu a montagem foi feita com personalidades apaixonadas por futebol, entre elas o compositor Chico Buarque de Holanda – sua filha, Luiza, participa do grupo. Talvez daí venha mais uma pista sobre o que vemos no palco. É um sonho, sim, mas dos apaixonados por futebol.
O espetáculo se concretiza de forma muito bela plasticamente. Movimentações e figuras, de solo e aéreas, bem realizadas. A música – que vai de barulhos de estádio, burburinhos até o gênero eletrônico – e a iluminação reforçam a sensação de estar dentro do sonho de alguém. Já os elementos de maior impacto, como acrobacias mais ousadas e as piadas, foram diluídas e dosadas no sentido de não desviar da idéia central e não explorar somente o virtuosismo físico e humor da trupe.
Com tudo isso, acho perfeitamente compreensível que muitas pessoas tenham saído do espetáculo dizendo que o acharam chato. Todos têm direito a opinião. Mas nesse caso a questão se explica pela frustração – mesmo que parcial – da expectativa. O nome Intrépida Trupe faz as pessoas esperarem um super show que, na visão dessas pessoas, não aconteceu. Há muitos precedentes artísticos disso, principalmente na música, onde fãs inveterados chegaram a desistir de sua adoração por mudanças nas propostas musicais.
Mas, se não fosse isso, não teríamos sempre uma eterna repetição? O novo nunca entraria em pauta. Portanto, digo que é necessário que o artista se reinvente, como fez a trupe. E aconselho: se for ver “Metegol”, tente deixar suas expectativas do lado de fora e embarque no sonho que a companhia propõe. Só assim você poderá realmente curtir o espetáculo, como eu curti. E sabe que até estou pensando em ir ao estádio este fim de semana.
Ps.: Antes que alguém ache amadorismo, esse texto foi escrito propositalmente em primeira pessoa em razão do meu envolvimento pessoal com o circo-teatro e com futebol. Acredito que é produtivo conhecer um pouco mais sobre quem escreve para compreender o ponto de vista. Achei significativo expor minhas idéias desse modo.
Luís Celso Jr.
Serviço: Metegol, com a Intrépida Trupe. Sexta-feira (28), sábado (29) e domingo (30) às 20h30. Ópera de Arame (Rua João Gava, s/nº) R$ 30,00.
Elenco é destaque em Farsa
 Farsa, de Luiz Arthur Nunes, não surpreende. E isso não é uma crítica. A última apresentação da montagem, nesta terça-feira (25), seguida por uma sessão extra lotada, confirmou que a peça, bem encenada por atores competentes, era mesmo diversão garantida.
Marcos Breda, que há anos se dedica ao estudo da comédia, gênero em que pode usar e abusar da atuação corporal, foi o grande destaque. Não parava um minuto, dando piruetas, saltos, cambalhotas, em uma incrível performance física. Bianca Byinton tinha atuação mais contida, mas peculiar. Claudia Ohana demonstrou perfeito domínio vocal, cantando no prólogo de O Médico Saltador, de Molière, e falando em falsete operístico, em Os Ciúmes de Um Pedestre, de Martins Pena.
Se algo surpreendeu talvez tenha sido a atuação do jovem ator global Sérgio Marone que, apesar de ainda demonstrar insegurança, em trejeitos nervosos, sai-se bem e leva às gargalhadas em seu papel de homem tosco e furiosos, em “O Urso”, de Chekhov.
O diretor acertou, inclusive, ao inserir pequenas referências contemporâneas e nacionais às montagens clássicas, sem comprometê-las, como a Piraquara, a Curitiba, ao rock e ao candomblé.
Annalice Del Vecchio
Interpretações naturalistas em Avental Sujo de Ovo
Avental Sujo de Ovo, espetáculo da Cooperativa Baiana de Teatro, apresenta a sala da casa de uma família do interior: sofá, mesa com toalha rendada, estante enfeitada de badulaques, como se encontraria em qualquer residência comum de classe média governada por uma dona-de-casa que vive com o marido aposentado. A estética e as atuações naturalistas são os instrumentos do grupo para contar a história de uma família “aleijada” pela ausência do filho, que fugiu aos 9 anos e nunca mais deu qualquer notícia.
A montagem se concentra na personagem da mãe, Alzira (bom trabalho de construção de personagem da atriz Christiane Veigga, com especial atenção à postura e aos trejeitos de uma senhora de idade – aliás, todo o elenco é competente), e divide-se em duas seqüências: na primeira, ela conversa com a vizinha e revela aos poucos, para a platéia, a dor pela ausência do filho e a fragilidade por baixo de sua casca dura.
A segunda é quando o filho, enfim, reaparece e confronta com a realidade, idealizada quando de seu "exílio". Pena que a sinopse publicada no guia do Festival de Curitiba conte a maior surpresa, esvaziando a expectativa causada pela primeira metade da encenação. Resta ao espectador a dúvida se a aceitação final virá ou não.
Luciana Romagnolli
Rubros: futilidade e profundidade
“Quer um chazinho de cidreira?”, pergunta Helô, na tentativa de acalmar a amiga Tereza, ao que esta responde, num grito: “Eu tenho um buraco no peito!”. Helô e Tereza, amigas desde a faculdade, hoje mulheres na meia-idade, são as protagonistas do espetáculo "Rubros: Vestidos – Bandeira – Batom", que as atrizes mineiras Ana Régis e Patrícia Reis apresentam no Teatro José Maria Santos, sob a direção de Rita Clemente ("Dias Felizes: Suíte").
Desiludidas das esperanças de sua geração e abaladas por problemas pessoais, as duas reagem de maneira oposta: enquanto Tereza, descontrolada, se entrega ao desespero a ponto de nem mais tomar banho, Helô, controladora, se apóia nas muletas contemporâneas, seja o Feng Chui ou a maquiagem. “A vida não é feita só de coisas profundas, não. Tem que ter superficialidade, futilidade, senão a gente não agüenta o peso”, justifica.
Se a relação das duas é de confronto, é também de dependência. O texto de Adélia Nicolete é emotivo e bem-humorado e valoriza-se pelo trabalho das duas atrizes e pela cenografia criadora de novos significados. ">Rubros" cativa por ser uma história atual e mais corriqueira do que possa parecer. Fala das dores profundas e da dificuldade de reencontrar sentido na vida, dos “curativos” que a sociedade oferece, de amizade e, vencendo o pessimismo, fala sobre a escolha de seguir em frente.
(PS. A peça foi apresentada para apenas oito espectadores ontem, o que não desanimou as atrizes, mas é desmerecido. A última sessão acontece no dia 28, sexta-feira, às 12 horas. Tomara que tenham casa cheia).
Luciana Romagnolli
Ato público pelo teatro
O Movimento de Teatro de Grupo de Curitiba faz amanhã (27), às 12 horas, no Memorial de Curitiba, um ato público pela criação da Lei Federal do Teatro Brasileiro – Prêmio do Teatro Brasileiro. O evento é organizado em apoio ao Redemoinho – Movimento Brasileiro de Espaços de Criação, Compartilhamento e Pesquisa Teatral, rede nacional criada em 2004, que agrega cerca de setenta grupos teatrais e entidades culturais de 11 estados.
A proposta é que o Prêmio do Teatro Brasileiro seja um programa público, estabelecido em lei, que destine recursos à produção de espetáculos teatrais com relevância artística, à circulação dos espetáculos e à manutenção de núcleos artísticos com trabalho contínuo – condições entendidas como necessárias para o desenvolvimento do teatro no país. O julgamento da relevância, conforme a proposta, deve ser descentralizado, ocorrendo em cada região brasileira.
Herói é cancelado
O espetáculo "Herói", que seria apresentado hoje, às 18 horas, no Guairinha, foi cancelado porque o ator Márcio Vito teve problemas de saúde. A peça não terá outras sessões no Festival de Curitiba.
Os artistas, os jornalistas e as críticas
Crítica não é insulto. Críticas não são dirigidas a pessoas, são direcionadas a um trabalho e feitas com a bagagem social e cultural adquiridas durante toda uma vida. São, portanto, sempre, pontos de vista pessoais. Vários críticos já erraram, outros acertaram. Mas isso só o tempo mostrou.
Aqui neste espaço, vemos ao mesmo tempo o jornalista exercitando a crítica e recebendo a crítica. Alguns com um pouco mais de respeito.
Jornalistas e artistas somos pessoas públicas, estamos expostos e temos de conviver com a crítica. Precisamos, talvez, aprimorar os argumentos e refletir mais sobre o nosso trabalho.
Parabéns Luciana, Annalice, Juliana e aos jornalistas que aqui escrevem. Parabéns aos seus críticos por manter esse encontro cultural em bom nível. É boa a troca de informações e de pontos de vista. Muitas vezes, nestas discussões, somos alertados para algo que não tínhamos notado.
Os insultos e os insultantes, a gente ignora, o trabalho, a gente toca para frente, aprendendo sempre a ouvir as críticas.
Luiz Claudio Oliveira
Desconhecidos - nem nudez salva
Desconhecidos, da Companhia Paulista Satélite, é uma das peças da Mostra Oficial do Festival de Curitiba. No palco, dois atores, um homem e uma mulher, interpretam dois atores. É o tal do metateatro. Mais ou menos o que ocorre quando um poeta escreve algo sobre a própria poesia. Pois bem, na peça os atores são marido e mulher. A história começa aí. Francisco Carlos, interpretado por Dionísio Neto, é o marido que acabou de saber que é estéril, não vai ter filhos, sem descendentes, nada de crescei e multiplicai-vos. Mesmo assim, reparem na verossimilhança, ele, folgazão, insiste em continuar a ensaiar para a peça. Sorrisinho maroto e copo de caipirinha de amora (?!), Francisco, o Carlos, ensaia, canta e fica fazendo uns traquejos bacanas até a chegada de Flor de Lótus (?), sua esposa, que volta do supermercado.
Continuemos. Flor de Lótus tem o cabelo azul e o casal tem uma discussão sobre a cor da geladeira – naquele que é, possivelmente, o trecho mais sensato de toda peça. Logo depois Flor de Lótus descobre que está grávida com um teste rápido de gravidez. Entenderam? Ele estéril. Ela grávida. Certo. Num mundo mais ou menos justo e correto, não estou falando nada do tipo Mundo dos Machos - o Francisco ficaria puto, quebraria tudo e indagaria até a exaustão sua Flor de Lótus sobre o amásio de plantão.
Mas não. Francisco prefere discutir novamente sobre a cor da geladeira, seus dotes profissionais e sobre a qualidade do trabalho da mulher. Nenhuma, veja bem, nenhuma pergunta sobre o provável adultério. Como isso é atitude de gente recalcada, o casal vai então ensaiar. Aí a coisa desanda de vez.
A peça dentro da peça mostra um encontro entre um serial killer e uma aeromoça desempregada. Os diálogos pretendem-se nonsense, mas são apenas chatos à exaustão.
Descobre-se depois que Dionísio Neto, além de interpretar, é o autor do texto. Mais uma pequena pesquisa na internet e sabe-se que Neto é pupilo do José Celso Martinez Corrêa, famoso e controvertido diretor de teatro paulista, e desafeto de Paulo Autran e da crítica Bárbara Heliodora. Dionísio, portanto, faria parte de um grupo mais liberal em contraste à posição conservadora de Autran e Heliodora.
Voltemos à peça. Entre uma amoreira, uma revoada de pombos e várias cenas destinadas a parecerem sexys, o serial killer literalmente despiroca e sai bravateando sobre o Deserto do Atacama e mulheres de flor no pescoço. Tudo com uma nababesca cueca de Jesus Cristo. Ah sim. A atriz fica nua.
Em tempo. A nudez para a turma liberal é quase um contratabu certo. Ainda representa a ameaça aos padrões pequeno burgueses do público médio católico e bem comportado. Sei.
Se fosse Mundos dos Machos – volto a eles –, acho que a coisa ficaria muito mais divertida. Com um copo de cerveja, entre uma olhada e outra para o futebol, dá para fazer comentários sobre as meninas pulando na cama elástica.
Mas claro que não é assim em Desconhecidos. A nudez ali representa, sei lá, eros, tanatos, a acidez do teatro. Ou talvez seja só uma forma de salvar um texto tão intenso quanto os que são escritos pelos hippies que andam pela XV perguntando se você gosta de poesia. Se não gostar, eles podem te vender um colar ou uma pulseira qualquer. Em Desconhecidos também. A história é cretina, mas, veja bem, a menina fica pelada.
Ah sim. Os dois atores não são ruins não. Em qualquer historinha de novela, com roteiro começo meio e fim não fariam feio. Mas em Desconhecidos, tudo não passa de vergonha alheia. Por favor, tirem a roupa para algo melhor.
Por: Guilherme Voitch
Vestido de Noiva sem percalços
Depois de uma estréia catastrófica no domingo, cancelada devido à falha em um projetor, "Vestido de Noiva" foi apresentada sem percalços nesta segunda-feira.
A companhia Os Satyros encontrou uma solução eficaz para trazer a peça de Nelson Rodrigues da década de 1940 à atualidade: apagar os limites entre os planos real, da memória e da alucinação. Afinal, depois de esses planos serem embaralhados de diferentes maneiras na literatura, no cinema e no teatro das últimas décadas, culminando nos incompreensíveis – embora interpretáveis – filmes de David Lynch (referência para a montagem), o público já não precisa que tudo seja exaustivamente explicado. A inserção de câmeras no palco, a gravar as cenas ao vivo e reproduzi-las no tecido branco do cenário, e a grande tela sobre a qual são projetados outras cenas também vestem a peça de contemporaneidade.
A fraqueza da montagem, então, não está na concepção do espetáculo. Nem mesmo no cenário “bolo de noiva”. Mas sim nas interpretações frágeis, principalmente da protagonista, Cléo de Páris. Sua Alaíde é monocórdica. Sua beleza não sustenta sua presença em cena.
Luciana Romagnolli
A cor de todas as coisas
Os integrantes do grupo XIX, de São Paulo, Luiz Fernando Marques, Renato Bolelli e Sara Antunes, transformaram o aterrador conto “Negrinha”, de Monteiro Lobato, em uma peça delicada.
Em apenas 50 minutos, Sara Antunes revela um momento crucial da história do Brasil, a libertação dos escravos, pela fala pueril de uma menina negra crescida na casa-grande de um engenho de açúcar.
O presente e o passado se cruzam a cada vez que a personagem interage com os espectadores, lançando perguntas e afirmações do tipo: “Que cor você acha que tem?”. “Acho que você é amarelo, amareloso”.
A palavra é, aliás, o centro desta montagem. A personagem tece uma narrativa lúdica, fantasiosa e poética. Ao contrapor cores, por exemplo, sua obsessão, cita o amigo Das Neves, preto como carvão: para não assustar ninguém, só andava à noite de olhos fechados, e assim combinava as marcas de chibata com as dos tropeços que dava pela ruas. Afinal, pergunta Negrinha a alguém da platéia: “Você não teria medo de dois olhos brancos no negrume da noite?”. "Teria", responde a pessoa.
A peça utiliza estratégias simples, artesanais, mas suficientes para criar o clima desejado pelo grupo, como, por exemplo, a escuridão total do teatro à entrada do público, o uso constante do fogo, o batuque nas panelas, colheres de pau, e dúzias de alho, espremidas pela atriz até o cheiro se espalhar pelo teatro.
Annalice Del Vecchio
O teatro indignado de Henfil
"Henfil, Já", espetáculo da Cambutadefedapata/Pausa Cia., começa muito bem. Três atores vestidos de calça jeans e camiseta acinzentada, em um cenário que se reduz a um banco e sem personagens definidos. É o suficiente para que, com criatividade, exploração dos movimentos e da voz, façam humor e crítica.
O texto é baseado em correspondências do cartunista Henfil, da leva do Pasquim. Já de início, debocha da apatia do brasileiro e o inflama a reagir: o ator Gabriel Gorosito, um dos talentos jovens do teatro local, faz caras e bocas e gestos para demonstrar indignação. É ridículo, e é para ser mesmo: ninguém mais sabe como se indignar. E correm seqüencias divertidas e contundentes, em que toda a discussão sobre os problemas sociais e políticos do Brasil em plena ditadura não parece datada.
A partir de um determinado momento, porém – mais especificamente quando os atores empunham suas coca-colas e passam a ler o texto escrito nas folhas de papel que seguram –, a montagem se torna mais monótona e as falas cada vez mais próximas do puro discurso político, falta só o palanque. Cai também no machismo, ao jogar sobre as mães a responsabilidade pela conduta posterior de seus filhos. E os pais? São apenas aqueles a quem se presenteia por pena, como o texto os vê? Apesar dos problemas, a peça continua com bons momentos, como a desconstrução do papel da música para compor uma cena emotiva. "Henfil" quer ser transformadora, mas o faz melhor quando faz bom teatro, não apenas interpela o público.
Luciana Romagnolli
Aqueles Dois surpreende com trabalho consistente
O Teatro Paiol é palco privilegiado para montagens intimistas como "Aqueles Dois", ótimo trabalho da companhia mineira Luna Lunera – da qual é integrante o ator Odilon Esteves, atualmente no ar como o travesti Cíntia da minissérie "Queridos Amigos".
Com um trabalho de pesquisa consistente, a companhia soube criar recursos inesperados para encenar o texto de Caio Fernando Abreu, sobre dois funcionários de uma repartição pública que, em meio ao ambiente impessoal, se reconhecem e se identificam, desenvolvendo um afeto mútuo que têm dificuldade de demonstrar.
Para começar, a companhia não define um personagem para cada dos quatro atores, que se alternam entre Saul e Raul – o que os faz especiais e comuns ao mesmo tempo. Recria o ambiente impessoal e automático da repartição, contrastado ao mundo interior dos personagens, cujas particularidades e qualidades (desenhar, colecionar discos, gostar de filmes antigos) se esvaem no local de trabalho.
O elenco preparado movimenta-se bem pelo palco exíguo, ocupando todo o espaço e dando dinâmica à encenação, com o auxílio de objetos versáteis. A música exerce papel fundamental em cena, como canal de acesso às emoções mais interiorizadas.
O resultado é uma história capaz de tocar a platéia, que não poupou gritos de "Bravo!".
Luciana Romagnolli
Prepare-se para rir à vontade no Risorama
 O Risorama, o evento de humor do Festival de Curitiba, começa nesta terça-feira (25), com participação da drag queen Nany People e da banda Play Mobil Trash, formada por Luiz França (comediante do espetáculo “Comida Musical") e Paloma Mendonça (vocalista/atriz), ao lado dos músicos Walter Binni (Vocal), Vinicius Binni (Baixo/ Voz), Gustavo Pompiani (Bateria) e Ricardo Fernandes “Cabelo” (Violão/ Voz). O repertório traz canções de grupos como Menudo, Balão Mágico, Trem da Alegria, Blitz, Village People, entre outros, lembrando os sucessos inesquecíveis da década de 80.
Na noite de segunda-feira (24), em uma sessão exclusiva para convidados, o público já pode soltar o riso com as apresentações de Diogo Portugal, Miau Carraro e Fábio Silvestre, entretendo o público tratando dos mais diferentes assuntos. A cada noite, até o domingo, dia 30, um grupo de humoristas se reveza no palco do Park Cultural para garantir o riso solto.
Nesta terça se apresentam os humoristas: Nany People, Diogo Portugal (idealizador do evento que está na quinta edição), Robson Nunes, Rafinha, Luiz Franca (com a banda Play Mobil), Caruso e Fábio Rabin. Os ingressos custam R$ 30,00 e para alguns dias, as sessões já estão lotadas.
A entrada para o Park Cultural é pela BR 277, em frente ao Parque Barigui.
Gisele Rossi - Gazeta do Povo Online
Laranja Mecânica: comparação inevitável com a obra de Kubrick
Ao levar ao palco "Laranja Mecânica", ainda que na versão do livro, o diretor Edson Bueno claramente se expõe a comparações com o genial filme de Stanley Kubrick. E fica difícil não sentir falta das sutilezas da obra cinematográfica na montagem em cartaz no espaço Cultural Falec. Gritos, música alta, luzes piscando, roupas de vinil, línguas lascivas e masturbação são recursos um tanto óbvios demais para retratar o universo da ultra-violência.
A encenação ganha tom de pastiche quando o responsável pelo comportamente de Alex, vestido em um terrível sobretudo de vinil vermelho, resolve dublar "Let It Be". É pop, sem dúvida. Mas completamente deslocado.
"Laranja Mecânica", ao menos, vale um elogio à atuação intensa de Dimas Bueno como o jovem Alex. Outros trabalhos de Edson Bueno, à frente do grupo Delírio, merecem mais atenção neste festival.
Luciana Romagnolli
Beatles levantaram o Guairão
O espetáculo Beatles num Céu de Diamantes, apresentado sexta-feira e sábado dentro da mostra oficial do Festival de Curitiba, levou o público curitibano ao delírio. Tanto numa sessão quanto na outra, o Guairão quase veio abaixo com a montagem, que reúne os maiores sucessos do quarteto de Liverpool. Embora seja simples na concepção, sem um enredo propriamente dito ou uma cenografia mais do que funcional, a competência e o visível entusiasmo do elenco -- composto por ótimos atores que cantam -- e dos músicos fizeram toda a diferença.
As canções, interpretadas como texto, com intenção e inflexão dramáticas, são costuradas com inteligência pelos diretores Charles Möeller e Claudio Botelho, que conseguiram ir além do formato recital. Fizeram a magia acontecer sobre o palco.
Paulo Camargo
Vestido de Noiva terá sessão especial
Sobre o cancelamento da peça 'Vestido de Noiva' na noite de ontem, devido a falhas no projetor de vídeo, a assessoria de imprensa do Festival de Curitiba confirmou que haverá uma sessão especial do espetáculo hoje à noite, após a apresentação das 20h30.
Para os que estavam na estréia cancelada, basta apresentar o canhoto da peça na bilheteria do Guairinha para assistir à sessão especial. Os que não puderem comparecer, devido ao horário - se a primeira sessão tem início às 20h30, a extra deve começar após às 22h - poderão receber o valor referente ao preço do ingresso de volta, também na bilheteria do teatro. A última opção é a troca dos canhotos por ingressos de outro espetáculo, igualmente na bilheteria.
Sessões extras
Quem está atrás de algumas peças concorridas do Festival de Curitiba, ganhou uma nova chance. O espetáculo de dança "Cruel", da Cia. Deborah Colker, com sessões nas noites do próximo sábado (29) e domingo (30) fará uma sessão extra no domingo, às 17h, no palco do Guairão.
Outra sessão extra foi marcada no Festival de Humor, o Risorama, para a sexta-feira (28), às 19 horas. O show com Diogo Portugal e seus convidados acontece no Park Cultural, espaço criado especialmente para o Festival de Curitiba. O Risorama tem sessões diárias durante esta semana, sempre a partir das 22 horas.
Também o espetáculo "Salmo 91", baseado no livro "Estação Carandiru" de Drauzio Varella, abriu sessão extra. A nova apresentação será no dia 30 de março, às 17h. "Salmo 91" foi premiada na última semana com o prêmio Shell de teatro em São Paulo.
Gisele Rossi - Gazeta do Povo Online
Suposto PM aponta arma e interrompe espetáculo
Confusão entre artistas e feirantes marcou a última sessão da peça O Abajur Lilás, na manhã deste domingo (23), no Largo da Ordem. Parte do espetáculo – que participou da mostra Fringe do Festival de Curitiba – é encenada ao ar livre pela Cia. Independente de Teatro e os palavrões existentes no texto do dramatrurgo Plínio Marcos irritaram algumas pessoas presentes. Um dos feirantes, que se identificou como policial militar aposentado, teria chegado a sacar uma arma e ameaçado disparar tiros contra dois atores.
“Foi uma desagradável falta de conscientização, uma censura incrível ao nosso trabalho”, critica o ator Tiago de Barros Cardoso, que prestou queixa à Guarda Municipal e ao 1.º Distrito Policial. “O espetáculo é alternativo, inclui palavras pesadas e solicitamos que fosse exibido à noite. Concordo que havia crianças presentes, mas infelizmente não posso deixar de fazer meu trabalho por causa da incompetência da organização para marcar horário.” Segundo o ator, o grupo pretende voltar a Curitiba para ficar com a peça em cartaz por dois meses.
Constrangimento
A feirante Vivien Camargo, que trabalha todos os domingos na feira do Largo da Ordem, afirma que os freqüentadores ficaram constrangidos com o linguajar da peça. “Os artistas começaram a gritar palavras de baixo calão e havia crianças no local”, diz. “Uma das atrizes vestia apenas calcinha e sutiã.” Vivien diz não ter visto o policial aposentado sacar a arma para intimidar os atores.
O investigador Délcio Razera, do 1.º Distrito, promete identificar nesta segunda-feira o PM aposentado. “Vamos coletar mais dados para lavrar o termo circunstanciado e encaminhar um pedido de informações à prefeitura”, afirma.
Por: Ari Silviera - Gazeta do Povo
Interrupção e revolta
Um problema em um projetor levou ao cancelamento da peça Vestido de Noiva na noite deste domingo (24). A peça, encenada pela companhia Os Satyros, estava em cartaz no Guairinha.
Com meia hora de espetáculo, o equipamento começou a apresentar problemas, fazendo com que a apresentação fosse interrompida – o que fez com que o público se revoltasse e criticasse o festival. Bastante nervosa, a atriz Norma Bengell subiu ao palco para acalmar a platéia.
Por: Daniel Fonseca - Gazeta do Povo Online
Western no Largo da Ordem
Os atores Paulo Américo e Thiago Barros, da Cia Independente de Teatro, passaram por apuros neste domingo (23) enquanto encenavam a peça “O abajur Lilás”, integrante do Fringe. De acordo com a reportagem da Folha Online, um homem, que teria se identificado como policial militar, apontou uma arma para a cabeça dos atores, reclamando dos palavrões ditos durante o espetáculo.
A montagem estava sendo encenada na rua, nas proximidades de barracas de artesanato da feirinha do Largo da Ordem – uma das quais seria do suposto PM.
A diretora da peça, Fernanda Levy, conta que o homem armado teria dito que “em Curitiba ninguém diz palavrão”, e que, apesar de não conseguir pegar o nome dele, uma queixa na polícia foi feita.
Por: Daniel Fonseca - Gazeta do Povo Online
Os “intelectuais” vão ao teatro
Mais engraçado do que Terra em Trânsito, espetáculo encenado neste sábado (22) no Teatro do Unicenp, com texto e direção de Gerald Thomas, foi o comportamento do público que o assistiu. Antes mesmo que a personagem Fabí – interpretada pela ótima Fabiana Gugli – soltasse um de seus comentários a respeito de personalidades como o jornalista Paulo Francis, grande parte da platéia já não continha as gargalhadas.
O curioso é que quando, na peça, foi citado o também jornalista, porém um pouco menos conhecido do grande público, Reinaldo Azevedo, ou ainda quando Fabí reclamava, aos berros, que havia outra pessoa que não ela interpretando em seu lugar a Isolda, da ópera de Wagner, houve um silêncio brutal. Mas foi só ela falar em George W. Bush que todos voltaram a sorrir.
Por essas e outras, às vezes chega a ser constrangedor pôr os pés num espetáculo da Mostra de Teatro Contemporâneo. Além de aturar alguns espetáculos de qualidade duvidosa, o espectador pode ter que aturar a pessoa da poltrona ao lado, que, para não parecer que não entendeu a piada, não pára de rir.
Por: Daniel Fonseca - Gazeta do Povo Online
Bolacha Maria não decepciona
 Quem assistiu a "Café Andaluz" e a "Os Leões" já sabe mais ou menos o que esperar de "Bolacha Maria – Um Punhado de Neve que Restou da Tempestade", espetáculo da Cia. Armadilha de Teatro, em cartaz no Teuni (UFPR) pela Mostra Novos Repertórios.
Desta vez, a companhia dirigida por Nadja Naira foi colher nos livros de Manoel Carlos Karam (morto em 2007) a matéria prima de sua encenação. Mais uma vez, escolhe um bom texto ainda inédito nos palcos curitibanos, com saboroso nonsense e um ar suavemente reflexivo, sem pretensão. Outra vez, apresenta um trabalho leve, que conquista pela lógica meio deslocada e pelo humor delicado, em que várias idéias líricas, espertas, são levantadas e ficam ali, pairando.
É visível que o grupo está se encontrando nessa linguagem e, a cada trabalho, busca inserir novos elementos no mesmo universo. Agora, é a narração em cena. Personagens incompletos que são, antes de tudo, narradores de si mesmos. Contadores de histórias. Contadores de mentiras. Atores.
Em um jogo cênico que só funciona pela interação dinâmica entre eles, a cumplicidade.
A linguagem narrativa cria um palavratório que a diretora soube atenuar intercalando seqüências mais visuais, como o belo momento em que os atores se entretém em tentativas variadas de voar. Há ingenuidade, humanidade e humor. O cenário verde e os objetos de cores alegres tambem contribuem.
Com "Bolacha Maria", a Armadilha não surpreende. Nem decepciona.
Luciana Romagnolli
(A fotografia é de Fabiano Rocha)
"Jesus Vem de Hannover" não explica a que veio
Fato inédito, uma peça conseguiu me dar vontade de sair do teatro. Esperava de "Jesus Vem de Hannover" algo do nível de "Jesus Christ
Superstar". A expectativa não foi infundada não, não caio só por um título bonitinho. O que me estimulou foi a imensa exposição que a publicidade
do espetáculo recebeu.
Com um selo da Lei de Incentivo à Cultura, o cartaz foi parar em inúmeras paradas de ônibus dentro dos modernos mobiliários da Clear
Channel. Por isso, esperava no mínimo uma idéia, ou várias idéias, algo coeso, interessante, bem feito, bem encenado.
Recebi uma junção de sketches bem parecidas com as que eu mesma encenava no Colégio Medianeira aos 15 anos. Piadas, berros, onde está o fio condutor? Assim como na escola, havia no ar alguma crítica, só não consegui decifrar a quê.
Tudo bem que vários atos tivessem relação com a elite e sua futilidade, mas essas eram intercaladas com nonsense e uma ou outra alusão ao
tal Jesus.
O título... onde está mesmo a ligação? Concordo que o teatro deva nos transpor, fazer pensar, ou parar de pensar, para só viajar, seja para
Hannover ou outro lugar, mas não foi o caso. Olhei no relógio.
Não posso dizer que não houve momentos bons, como o cantor de rock que dubla o som de seu MP3 e um viajante a quem é oferecido croissant de
raposa para o jantar.
Confesso que, talvez, meus sentidos tenham sido
comprometidos pelo espectador da fila de trás, que irritava com a risada incessante. Ele conseguiu achar graça nas roupas improvisadas. Um andróide, por exemplo, era carcaterizado por um capacete de ciclista. Ou no gelo seco que nos
asfixiava, misturado aos dois ou três cigarros fumados pelos atores e aos quatro charutos.
O amadorismo e exagero me fizeram desejar estar em outro lugar.
Helena Carnieri
Arrebatadora, Mãe Coragem conquista o público
Mãe Coragem e Seus Filhos estreou ontem no Teatro da Reitoria já como um dos maiores sucessos desta edição do Festival de Curitiba. O mesmo público que encheu o espaço e fez ranger as cadeiras quando o desconforto físico por permanecer mais de duas horas sentado foi inevitável, aplaudiu com entusiasmo, longamente, o conjunto de atores que acabara de lhe de proporcionar um espetáculo divertido, emocionante e profundo.
A peça de Bertolt Brecht é belíssima e muito inteligente. Expõe o horror da guerra sem apelar para corpos destroçados e sanguinolência. Tampouco é maniqueísta. Ao contrário, revela o beco sem saída onde o homem se colocou pela ganância financeira.
Mãe Coragem, em atuação excelente de Louise Cardoso, à altura do complexo papel (e que mostra o que uma grande atriz pode fazer quando não está limitada pela fórmula da telenovela), é a própria contradição da guerra. Não quer que o conflito acabe, porque dele se sustenta, mas evita o quanto pode que seus filhos sejam mandados para o fronte de batalha. É mãe amorosa tanto quanto é negociante embrutecida pelas condições de vida – e isso lhe custará um filho.
O diretor Paulo de Moraes foi escolha mais do que acertada para encontrar o tom que atualizasse a peça e não a deixasse enfadonha, sem prejuízo da carga crítica que carrega. Equilibra humor e drama com bom gosto.
Suas soluções de cenário são sempre motivos de elogios – e não é diferente desta vez. O painel ao fundo, com portas camufladas, e a carroça feita da carcaça de um avião permitem a movimentação no palco, iludindo a passagem geográfica e temporal. A bela iluminação de Maneco Quinderé compõe a cena.
Patrícia Selonk sobressai na ótima interpretação da filha muda que se comunica pela música. A atriz protagoniza uma das imagens mais belas do espetáculo, pela força dramática e visual, quando sua personagem enfrenta a tropa inimigo. Mas não é a única, todo o grupo de atores da Armazém Cia. de Teatro mostra-se competente, revezando-se em diversos papéis, e tem seus momentos de destaque.
A única coisa que parece mal ainda resolvida no palco é a inserção de uma arqueóloga, a escavar uma ossada, em um plano paralelo. A simbologia está clara: é o olhar contemporâneo sobre aquela história, a comprovação de sua veracidade. A personagem serve também como uma narradora dos acontecimentos. Mas a atriz ainda precisa trabalhar para encontrar um tom mais convincente.
A longa duração (apesar de o texto original já ter sido cortado) é um tanto cansativa. Nada, contudo, que comprometa a harmonia e a força expressiva da montagem, que culmina na imagem final, simples e arrebatadora.
Luciana Romagnolli
O “algo a mais” que falta em “Três Mulheres e Aparecida”
 O que faz você levantar da sua poltrona em casa, comprar um ingresso e ir ao teatro? Qual é o fator que faz você escolher esta e não aquela peça? Isso é tema de muita discussão e não se pretende encerrar o assunto aqui. Mas, claro, é necessário um interesse pelo tema, um envolvimento com a história, uma certa identificação, enfim, algo a mais que diferencie este de tantos outros espetáculos - principalmente numa torrente de apresentações como acontece no Festival de Curitiba. Seja o que for, faltou em “Três Mulheres e Aparecida”, da companhia Theatro XVIII, de Salvador.
O Teatro do Sesc da Esquina, que possui capacidade para 300 pessoas, tinha apenas cerca de 50 nesta quinta-feira (20). Competindo com “Virgulino e Maria”, “Volúpia” e “Júpiter”, obviamente “Três Mulheres e Aparecida” ficou em segundo plano.
A peça - encenada pela primeira fez em 2000, na época das comemorações dos 500 anos do Brasil - busca contar a cansada história da colonização, porém pela ótica feminina. A atriz Rita Assemany se reveza no papel de quatro diferentes mulheres. A primeira, fio condutor da montagem, é a contemporânea mendiga Aparecida, que passa o dia vasculhando latas em busca de comida.
No desenrolar da peça, ela se “transforma” em outras três, todas da época do “descobrimento”. A primeira é a índia tupinanbá Jacapu Coema, seguida pela divertidíssima prostituta portuguesa Maria Pureza e pela escrava angolana Luedji.
O que se viu no palco foi um monólogo bem montado, escrito e dirigido. Bom cenário, trabalho de som, luz e de atriz – Rita conseguiu tirar alguns bons risos da pequena e tímida platéia. Mas fica nisso. Nada se sobressai. Não há um diferencial. E o tema, já surrado de tão batido, também não ajuda - mesmo na tentativa de ser diferente pelo ângulo de abordagem.
O objetivo dessa comédia dramática, até onde se deu a entender, era de provocar uma reflexão sobre a história, contada pelas mulheres, e sobre sua condição feminina nesse período. Mas o que se viu, foi a mesma história, com poucas modificações, e uma condição estereotipada da mulher. Fora a parte da índia, da qual se entendeu pouca coisa em razão da encenação confusa e não falada em nosso idioma, as outras duas aparecem cozinhando e falando em sexo. Será que era só isso?
Além disso, a reflexão ficou em segundo plano. Mostrou-se a condição feminina, mas a platéia foi pouco instigada a evoluir no raciocínio da peça. Abriu-se o espaço, mas faltaram as perguntas. Talvez este pudesse ter sido o algo a mais, buscado, mas não atingido, que transformaria uma peça boa em peça ótima.
Luís Celso Jr.
Serviço: "Três Mulheres e Aparecida". Quinta (20) e sexta-feira (21) às 20h30. Teatro do Sesc da Esquina (Rua Visconde do Rio Branco, 969) Tel.: (41) 3322-6500. R$ 30,00 e R$ 15,00 (estudantes e idosos).
Virgulino e Maria dividem o público
A primeira apresentação de Virgulino e Maria -- Auto de Angicos na Mostra Contemporânea do Festival de Curitiba dividiu o público que praticamente lotou o Guairinha na quinta-feira à noite.
Enquanto alguns reclamavam na saída que a peça, dirigida por Amir Haddad, havia sido "longa e cansativa", outros elogiavam a cenografia e a iluminação do espetáculo, que retrata as últimas horas de vida do cangaceiro Lampião (Marcos Palmeira) e de sua companheira Maria Bonita (Adriana Esteves).
O bom texto de Marcos Barbosa talvez fosse mais adequado para um teatro de arena, aos moldes do Paiol, que aumentasse a proximidade entre os atores e a platéia, já que a ação transcorre dentro de uma caverna, à noite. Palmeira, que costuma se sair melhor em papéis rurais do que como personagens urbanos, convence como Lampião. Adriane Esteves, apesar de não ter o physique du rôle de Maria Bonita, dá conta do recado e tem alguns momentos tocantes de interpretação.
Paulo Camargo
Patetas de Tóquio
 A Ópera de Arame não chegou a sua lotação máxima na estréia de 'Júpiter: Conquista da Galáxia', na noite de quinta-feira (20). Mas as gargalhadas que tomaram conta do teatro-ponto turístico durante a apresentação do único grupo estrangeiro presente no festival, a companhia japonesa Condors, foram mais que suficientes para preencherem o espaço.
Dançando, os condores parecem uma boy-band ao dobro em seus 'gakurans' – uniformes pretos para meninos das escolas japonesas. As coreografias do fundador da companhia, Ryohei Kondo, que também entra em cena, são vibrantes, espontâneas e leves, repletas de movimentos aéreos e aparentemente elaboradas a partir das músicas que as embalam – em sua grande maioria, pérolas do rock de todos os tempos ('Paradise City', dos Guns n'Roses e 'Do You Remember Rock'N'Roll Radio, dos Ramones, encerram a noite).
Com a ciência de que a maioria dos bailarinos não possui formação em dança – antes de entrarem para o Condors, grande parte dos integrantes atuava em outras áreas, como Filosofia, Artes Plásticas e Publicidade – o trabalho coreógrafico de Kondo torna-se ainda mais interessante. É incrível (e um tanto quanto engraçado) notar como cada um dos condores interpreta os movimentos independentemente de coordenação motora, porte ou jeito pra coisa. Todos dão o máximo de si e fica perceptível ao público como eles se divertem em cena.
Estruturado em esquetes humorísticas intercaladas por coreografias (ou vice-versa), 'Júpiter' é deboche do início ao fim. Não faltam referências à cultura de consumo em massa – hilária a cena em que dois astronautas tomam Coca-Cola e comem yakisoba de cabeça pra baixo, puro pastelão! Televisão e cinema também não são poupados. O inocente 'Vila Sésamo', na versão japonesa vira o desbocado 'Vila Suja-Me', esquete em que três integrantes dublam um tosco show de marionetes com texto todo em português, com forte sotaque nipônico, é claro. Até o capenga Ronaldo Fenômeno dá as caras em 'Júpiter'. Para interpretá-lo, um dos atores mais rechonchudos da trupe surge em cena pintado de marrom, com peruca afro, uniforme da Seleção Brasileira, mancando e com um gigantesco curativo no joelho, fazendo a platéia chorar de tanto rir.
Se a intenção é ir ao teatro, entender o espetáculo do início ao fim sem precisar perguntar nada para a pessoa sentada na poltrona ao lado e voltar para casa com as bochechas latejando de tanta risada, 'Júpiter' é a opção ideal.
Juliana Girardi
Rainha Mentira é cancelada
Gerald Thomas não virá ao Festival de Curitiba. A assessoria do festival assumiu a responsabilidade pela ausência do diretor, devido a um erro de logística que impossibilitou sua viagem de Nova York para Curitiba a tempo de cumprir seus compromissos aqui.
As conseqüencias são os cancelamentos da palestra Gerald Thomas e seu Teatro, que aconteceria hoje, e do espetáculo Rainha Mentira, que seria encenado junto a Terra em Trânsito, neste sábado (22) e domingo (23), no que foi chamado Mundo Gerald Thomas. Apenas Terra em Trânsito, montagem que põe em cena uma cantora lírica e um cisne, será apresentada.
Quem já comprou ingresso para a palestra pode trocar pelo evento de amanhã, às 16 horas, com a produtora de dança Mayumi Nagatoshi, de Tóquio, ou receber de volta o valor pago.
Se algum dos espectadores que já garantiram seu ingresso para o Mundo Gerald Thomas preferir não assistir a apenas Terra em Trânsito, também pode devolver o ingresso e ter o valor ressarcido.
Rita Clemente comprova competência em adaptação de Beckett
 Em Dias Felizes: Suíte, atração mineira no Fringe, a terra não cobre o corpo de Winnie como sugerido por Samuel Beckett, autor do texto. Nem por isso, porém, pode-se dizer que a personagem não esteja enterrada. Diante de um microfone e de algumas folhas de papel, sem sair do lugar durante os 50 minutos de encenação, ela fala para o marido e para ninguém, já sem esperança de ser ouvida, mas incapaz de calar.
Atrás, onde seu olhar não alcança, está o cônjuge, Willie. Mas é como se não estivesse. Nada faz, raramente responde às súplicas da esposa. Suas palavras quase são inaudíveis. Confunde-se com os dois músicos que acompanham Winnie quando esta se anima um pouco a cantar.
Seus agudos projetam uma angústia abafada, descrente, desencontrados das notas mínimas repetidas pelos instrumentos. Nem na música ela encontra diálogo.
Fazer sentido nunca foi preocupação para Beckett, nem o é para a atriz e diretora Rita Clemente. Com sua interpretação competente, em um tom particular que causa estranhamento nos primeiros minutos, mas depois absorve e embala, a artista consegue sensibilizar o espectador sobre a incomunicabilidade e a solidão.
Um único porém: algumas projeções, em especial a final, não fariam qualquer falta.
Luciana Romagnolli
(A fotografia é de Bianca Aun)
Irregular, Volúpia deixa a desejar
 Há uma cena-chave em Volúpia – o espetáculo catarinense da Cia. Carona, que estreou hoje no Teatro Novelas Curitibanas. É quando a jovem esposa de Paulo, minimamente vestida, avança sobre ele em beijos e carícias cada vez mais ardentes, ávida por satisfazê-lo. As preliminares são tão exageradas, com os loiros cabelos dela voando como chicotes, que chegam a causar risos de alguns espectadores.
Até o momento, o espetáculo abusava da disposição do público. Estava mais próximo do ridículo do que de qualquer outro adjetivo. O desejo, a falta de limites da pulsão sexual e a exposição da nudez eram tratados sem nuances, em seqüências "over", que tornavam impossível não pensar: por que não escolhi ver outra peça?
Quando tudo parece não passar de uma grande desculpa para se expor sexualmente, porém, a companhia vira o jogo. Paulo repele a esposa. Por mais que se esforce para dar prazer a ele, por mais liberal que se torne, ela já não é excitante o suficiente. Exposta e fragilizada, ela chora sozinha.
O que até então era uma exaltação à libertação sexual, torna-se uma história sobre a falsidade dessa suposta liberdade, que cria suas próprias amarras. A verdadeira liberdade é inatingível. Na ilusão de viver o amor livre, é a mulher a mais fraca em cena. Abusada, humilhada, descartada.
Essa dimensão do revés da liberdade sexual é levada com força dramática ao palco e consegue se comunicar com o público. Infelizmente, não é o bastante.
O texto peca por obviedades, a necessidade de explicar em pormenores o que já se entendeu. O desenvolvimento das ações é confuso. Aos figurinos falta cuidado – a começar pelas terríveis vestimentas monocromáticas, rebuscadas e mal-acabadas com que os atores recebem o público, que já assustam à primeira impressão.
O mais precário, no entanto, é a ausência de forma, de uma preocupação estética que envolva a ação, porque, como nunca é demais lembrar, arte não é só o que se diz. É como se diz. E a Cia. Carona não encontrou a melhor maneira de dizer o que queria.
Luciana Romagnolli
Festival deu balão
Dois felizardos ganharam um passeio de balão com acompanhante numa promoção feita pelo Festival. 250 frases foram inscritas no site www.festivaldecuritiba.com.br e os vencedores foram Sérgio Antônio Wallbach Ribeiro ( "Arriba, Curitiba!") e Alex Mariano (" Eu amo Curitibalão!")
Satyrianas
Os Satyros não se cansam. Se no ano passado estiveram ausentes do Festival de Curitiba, este ano voltam com tudo.
Tudo mesmo: À Mostra Contemporânea, trazem "Vestido de Noiva", montagem de uma das melhores e mais difíceis peças de Nelson Rodrigues.
Longe do centro da cidade, comandam a Residência das Artes na comunidade de Vila Verde, no CIC. É um projeto de intervenção urbana, que começou há um mês e escolheu atores, entre os habitantes, para encenar "A Fauna", uma espécie de auto medieval atualizado, lá mesmo.
É o bastante? Não para eles.
A companhia inventou mais uma. Ivam Cabral, Rosana Stavis, Silvanah Santos, Laerte Késsimos e Gisa Gutervil se apresentam no dia 29 (sábado da próxima semana), às 16 horas, no Memorial de Curitiba, com o happening Teatro do Livro.
Misto de leitura e encenação, o acontecimento traz à cena o Auto da Sibila Cassandra, peça de Gil Vicente escrita em espanhol, que só agora foi traduzida para o português (a publicação é da Cosac Naify). Quem dirige a brincadeira é o paranaense Marcos Damasceno. A entrada é franca.
Não é só por aqui que Os Satyros não ficam parados. Quem se lembra de suas montagens curitibanas (a controversa Kaspar Hauser e a bela Cosmogonia – Experimento 1, entre elas) talvez não saiba da importância que o grupo assumiu em São Paulo.
Foram eles os verdadeiros "salvadores" da Praça Roosevelt, um lugar abandonado no centro da cidade, que se reintegrou ao ambiente urbano depois que o grupo lá se estabeleceu. De teatro em teatro, peça em peça, atraiu outras companhias e muito público pro local. Virou um pólo teatral. Lá acontecem as Satyrianas, maratona de 24 horas de encenações, e outros eventos que servem de ponto de encontro de atores e diretores de todo o país. Sem contar as intervenções em comunidades carentes de lá... Os Satyros realmente não param.
Luciana Romagnolli
"Laranja Mecânica" traz boas surpresas
 A montagem teatral de "Laranja Mecânica", que lotou o Espaço Cultural Falec em sua estréia anteontem (18), é uma das boas opções do Fringe deste ano.
O diretor Edson Bueno preferiu se guiar pelo livro de Anthony Burgess, mantendo um distanciamento do filme inspirado por ele, de Stanley Kubrick. A escolha foi acertada e coloca em cena o final original, e não aquele que se consagrou no longa-metragem.
Mesmo assim, é nítida a influência do cinema, principalmente, na primeira parte da peça, em que Alex – o ator Dimas Bueno, em seu primeiro grande papel – e seus amigos praticam todo o tipo de violências em cenas de movimentação rápida e transição seca. Os estupros, assaltos e espancamentos, mesmo de mentirinha – os atores não chegam a se encostar – lembram o que foi feito na peça "Educação Sentimental do Vampiro", de Felipe Hirsch, e provocam um riso constrangido do público, em dilema entre o ódio e a simpatia pelo personagem.
Dimas Bueno não decepciona. Sem nunca sair de cena, imprime em seu corpo as inúmeras emoções, por vezes contraditórias, de Alex. Algumas vezes, no entanto, é difícil distinguir algumas de suas palavras, embora, muitas delas sejam mesmo incompreensíveis, pois são expressões particulares à gangue criada por Burgess.
São méritos também a iluminação de Beto Bruel, em constante diálogo com a encenação; o figurino agressivo e feito, em boa parte, com vinil preto e vermelho, de Áldice Lopes; e as escolhas ousadas do sonoplasta Chico Nogueira.
Annalice Del Vecchio
Foto: Daniel Sorrentino/Clix
Maratona de espetáculos
Para aproveitar o máximo de espetáculos do Festival de Curitiba, vale a pena levantar cedo. As primeiras apresentações desta quinta-feira (20) acontecem às 10 horas da manhã. Conforme a programação do Festival, devem ser encenadas duas peças neste horário: a comédia infantil paulista Fugindo de Casa, no Bebedouro do Cavalo no Largo da Ordem; e de Florianópolis (SC), a montagem Fulaninha e Dona Coisa, na praça Santos Andrade.
Outros espetáculos serão apresentados nos mesmos endereços às 16 horas. Eles só serão cancelados em caso de chuva forte.
As apresentações prosseguem durante todo o dia até à meia-noite. Estão programadas 78 atividades no primeiro dia de Festival, que prossegue com programação intensa até o dia 30.
O cinema também vai ao teatro
A Cinemateca de Curitiba exibe, de 20 a 28 de março, sempre às 14h30, uma série de 11 documentários sobre as artes cênicas, com entrada franca.
É uma promoção conjunta com a Embaixada da França e Aliança Francesa de Curitiba. Todas as sessões têm início às 14h30. A entrada é franca.
Confira a programação:
Dia 20/03
Claude Régy, O Transmissor (1997)/ Claude Régy, Le Passeur De Arnaud de Mezamat, Elizabeth Coronel. Com Claude Régy, Michael Lonsdale, Valérie Dréville. Cores. Duração 92’.
Todos os temas, caros ao diretor e que o fazem ainda hoje um criador à parte no universo teatral francês, são abordados por ele próprio, por seus atores, pelos autores dos quais encenou as peças.
Dia 21/03
O Complexo de Thénardier (2002) / Le Complexe de Thénardier. De Jean-Michel Ribes. Com Laure Calamy, Marilú Marini. Cores. Duração 73’. Duas mulheres, duas gerações. Uma mãe e sua filha, poderíamos supor inicialmente. Mas trata-se de sua empregada, filha adotiva, salva de um genocídio. Como pano de fundo, um país destruído pela guerra onde o perigo espreita a cada momento. Uma relação passional e ambígua de dependência comum onde uma e outra se revezam no papel de vítima e carrasco.
Dia 22/03
Com um Fio na Pata (2002) / Un Fil à la Patte. De Georges Lavaudant. Com Gilles Arbona, Hervé Briaux, Natasha Cashman. Cores. Duração 130’. Classificação etária livre. Como Lavaudant ele próprio declara, foi com "ingenuidade e frescor" que mergulhou no texto de Feydeau, se deixando levar por um texto eficaz que vai mais rápido que o restante, mais rápido que as situações, que os atores, mais rápido que o pensamento, com uma rapidez quase autônoma.
Dia 23/03:
Inventários (1990) / Inventaires. De Jacques Renard. Com Edith Scob, Florence Giorgetti, Judith Magre. Cores. Duração 48’. Ao transpor a ação para os corredores de um hipermercado, no meio de carrinhos de compras, caixas registradoras e clientes anônimos que fazem compras e se encontram inseridos no filme como espectadores do evento, cria-se um inquietante visual do mecanismo de jogos televisivos ao vivo e demais reality shows.
A Secreta Arquitetura do Parágrafo: Encontro com Philippe Minyana (2002) / La Secrète Architecture du Paragraphe : Rencontre avec Philippe Minyan. De Jérôme Descamps. Cores. Duração 26’. Uma introdução concreta e material ao trabalho de Minyana que fala de sua relação com os atores, suas afinidades com o trabalho dos artistas plásticos e sobretudo desenvolve sua concepção de escritura teatral.
Dia 24/03
Coelho Caçador (1991)/ Lapin Chasseur. De Guy Seligmann. Com Jean-Marc Bihour, Susan Carlson, Yolande Moreau. Cores. Duração 112’. Aqui os diretores prosseguem nesta peça a explorar o burlesco e o lado inquietante de nossos universos cotidianos, desmontando alegremente, obstinadamente e com carinho as engrenagens grosseiras ou complexas de nossa comédia humana.
Dia 25/03
Tio Vânia (2004) / Oncle Vânia
De Jean-Baptiste Mathieu. Com Jean-Paul Roussilon, Jeanne Balibar. Duração 120’. O campo, o verão, o enfado, a doença, um coquetel explosivo onde rancores e paixões vão provocar amores irresistíveis em cada um dos protagonistas.
Dia 26/03
Fedra (2003) / Phèdre
De Stéphane Metge. Com Christiane Cohendy, Dominique Blanc, Pascal Greggory. Cores. Duração 140’. A partir do olhar de Chéreau, a tragédia do desejo e da morte escrita por Racine se concentra nesta questão: como dizer o que não pode ser dito?
Dia 27/03
Tambores no Dique (2002) / Tambours sur la Digue. De Ariane Minouchkine. Cores. Duração 135’. Para este espetáculo, Mnouchkine escolheu uma maneira que misturasse de jeito inquietante teatro e marionete a partir do Nô e do Bunraku japonês onde atores mascarados e coloridos animam 'bonecas vivas", acionadas por atores-manipuladores, neutros, vestidos de preto.
Dia 28/03:
Bônus: do Teatro ao Cinema (2003) / Bonus : du Théâtre au Cinema. Duração 23’.
Violação (2003) / Viol. De Sophie Fillières. Com Marie Armelle Deguy, Myriam Boyer. Cores. Duração 94’. Inspirado numa notícia de jornal, a peça se aproxima de uma tragédia moderna, oferecendo um processo fatal onde a interrogadora, pacientemente, mas inexoravelmente, faz emergir o episódio, o gesto, o signo que o personagem principal viu sem querer tê-lo visto.
Música da Orquestra Imperial abre o Festival de Curitiba
O tempo de contagem regressiva para o Festival de Curitiba está terminando. Na noite de quarta-feira (19), acontece o show de abertura do evento para o público em geral, com a Orquestra Imperial. Na quinta-feira (20) tem início a maratona de apresentações de peças, com 78 atrações, já no primeiro dia, com sessões gratuitas a partir das 10 horas da manhã.
Até o dia 30, domingo, serão apresentados cerca de 300 espetáculos, além das sessões de debates e lançamentos do Usina de Idéias, a mostra Carrossel, em cidades da região metropolitana da capital paranaense e o Residência das Artes, projeto do grupo Os Satyros, que será apresentado na Vila Verde, na região da Cidade Industrial de Curitiba, unindo atores profissionais e moradores da localidade.
Música
Reforçando a idéia de que o Festival não é apenas de teatro, a primeira atração desta 17º edição do Festival de Curitiba é a big band Orquestra Imperial, um dos grupos de sucesso no cenário nacional, em especial no Rio de Janeiro, onde promovem bailes de gafieria, estilo musical que vêm consagrando o conjunto.
Quem for conferir a apresentação pode ir preparando um belo e confortável traje, para poder dançar à vontade. Com integrantes de origens musicais variadas, a Orquestra Imperial, apresenta um repertório dançante, com boleros, sambas, canções dos anos 60 e os clássicos da cultura da dança de salão, a conhecida gafieira, tudo com novos arranjos.
O grupo surgiu em 2002, e desde então tornou-se uma das maiores sensações da cena cultural do Rio de Janeiro, em seus bailes-shows. Além dos bailes-gafieira, a Orquestra passou a esquentar ainda mais os verões cariocas com seus “Bailes Pré-Carnavalescos”. Em 2005, a Orquestra fez sua estréia internacional, no Festival Sudoeste, em Portugal, onde tocou para mais de trinta mil pessoas. Depois fez uma turnê pelos EUA. No ano passado, a Orquestra lançou seu primeiro CD, “Carnaval Só Ano Que Vem” (PingPong/Som Livre) com composições coletivas e inéditas de integrantes do grupo. O show em Curitiba é uma prévia do que a Orquestra vai apresentar na turnê por países da Europa ainda este ano.
Formam a Orquestra Imperial os seguintes artistas: Thalma de Freitas, Nina Becker, Moreno Veloso, Rodrigo Amarante, Wilson das Neves, Nelson Jacobina, Bartolo, Pedro Sá, Rubinho Jacobina, Berna Ceppas, Domenico Lacelotti, Stephane San Juan, Bodão, Leo Monteiro, Felipe Pinaud, Max Sette, Bidu Cordeiro e Mauro Zacharias.
Na terça-feira (18), a Orquestra Imperial faz o primeiro show de abertura, para convidados.
Confira a programação do festival
Serviço: Show Orquestra Imperial. Dia 19 de março a partir das 22 horas. Park Cultural (BR 277, s/nº, atrás do ParkShopping Barigüi). R$ 30,00 e R$ 15,00 (meia) e estão sendo vendidos nos quiosques do Festival de Curitiba no ParkShopping Barigüi (Curitiba), Morumbi Shopping (São Paulo) e Barra Shopping (Rio de Janeiro), e pelo site Ingresso Rápido (www.ingressorapido.com.br).
Equipe da Gazeta dá dicas sobre o Festival
A equipe de jornalistas da Gazeta do Povo vai dar uma mãozinha para os curitibanos que estiverem perdidos no meio de tantos espetáculos no Festival de Curitiba, afinal são cerca de 270 peças, apresentadas no período de 10 dias. Em tão curto espaço de tempo, muitas vezes fica difícil escolher o que é mais apropriado para assistir. No Blog do Festival, a equipe de profissionais de todas as editorias da Gazeta do Povo e Gazeta do Povo Online vão tecer seus comentários sobre espetáculos, contar as notícias dos bastidores e informar sobre possíveis alterações de última hora. Basta acompanhar.
O Festival de Curitiba, que a partir desta 17º edição não carrega mais a palavra teatro no seu nome, apresenta uma programação bastante variada, com espetáculos nacionais e latino-americanos, de profissionais já famosos e também de atores menos conhecidos, mas sempre com histórias para contar, explorando novas formas de representação, inspirados em textos clássicos das artes cênicas ou de estreantes. Como diz o nome é um festival de grandes atrações.
|